O deputado federal Leonardo Gadelha (PSC-PB), coordenador da área de Aeronáutica da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, classificou de acertada a decisão do Governo Brasileiro de comprar os caças supersônicos Gripen NG, da Suécia. “Tínhamos três excelentes opções, e o modelo sueco é o que melhor se encaixa aos propósitos brasileiros neste momento”, afirmou o vice-líder do Partido Social Cristão na Câmara
O anúncio do Governo foi feito na tarde desta quarta-feira, 18 de dezembro, pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, em Brasília. Os 36 caças irão custar ao Brasil US$ 4,5 bilhões. Segundo o ministro, a decisão levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custos, não só de aquisição, mas também de manutenção. “A escolha se baseou no melhor equilíbrio entre esses três fatores”, disse o ministro durante pronunciamento. As negociações duraram mais de uma década.
“De qualquer forma, qualquer modelo que fosse escolhido, nós estaríamos bem servidos. É importante que isso esteja bem claro”, disse Gadelha, referindo-se às aeronaves fabricadas pela Boeing (EUA) e pela Dassault (França), que competiam com o avião da sueca Saab. Em 2013, o deputado Leonardo Gadelha esteve na França e na Suécia conhecendo os caças pessoalmente. “Fiquei impressionado com a tecnologia dos dois modelos.”
De acordo com o parlamentar, a decisão já deveria ter sido tomada antes. “Os nossos caças Mirage estão obsoletos. Passaram por um processo de modernização, mesmo assim terão capacidade de voo limitada em 2014. O Brasil comprou em caráter emergencial seis aeronaves reformadas do Reino da Jordânia, que poderão exercer a defesa do espaço aéreo brasileiro apenas durante a realização da Copa do Mundo”, disse.
Mais econômico
Gadelha lembrou que, depois de acertada a compra, leva-se de quatro a cinco anos para receber as aeronaves. “Vamos receber os equipamentos a partir de 2017.” Para o vice-líder do PSC, a escolha do modelo sueco não se trata exatamente de uma surpresa. Havia um grupo dentro da Força Aérea do País defendendo a aquisição do modelo sueco, em função do seu custo de manutenção.
Cada um dos três modelos ofertados, lembrou Gadelha, o americano, o francês e o sueco, tinham suas vantagens competitivas. “O F-18 americano é visto por especialistas como o mais completo dentre todos os equipamentos. O modelo francês é o que propunha o maior pacote de transferência de tecnologia, sempre muito importante para um país que quer, nos próximos anos, ter o controle desse tipo de tecnologia sensível. Mas o modelo sueco era muito atraente por conta do seu custo de manutenção”, disse.
“Em primeiro lugar, trata-se de um equipamento monomotor, diferentemente das outras aeronaves, que são bimotor. Isso gera menos gasto com o combustível e manutenção”, explicou. “Costumamos ver, ano após ano, a dificuldade na rubrica de custeio por parte da Aeronáutica já nos meses de setembro e outubro. Mesmo os equipamentos mais simples da Força Aérea costumam ficar em solo por causa dos custos para a sua manutenção e abastecimento.”
“O Brasil é um país de tradição pacifista, não temos no curto e no médio prazo nenhuma perspectiva de participar de nenhuma forma de conflito”, afirmou Gadelha. “Por isso, o que a gente quer é ter equipamentos que nos permitam a preservação do nosso espaço aéreo, das nossas riquezas, sem que para isso a gente não precise entrar em confronto com nenhuma outra nação nem com outro grupo armado.”
Assessoria
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