De acordo com as investigações, desde 2002 os acusados participavam de
um esquema fraudulento para direcionar a distribuição de processos
endereçados ao 2° grau, de modo a escolher os gabinetes de
desembargadores que ficariam responsáveis pela análise dos processos de
clientes dos advogados envolvidos. Segundo a promotoria, os acusados
também deveriam responder pelo crime de formação de quadrilha, "que
acabou prescrevendo devido à demora nas investigações por parte da
Polícia Civil".
O juiz auxiliar da presidência do TJ, Antônio Silveira Neto, explicou
que o tribunal está auxiliando nas investigações. “O tribunal espera que
esses servidores que foram denunciados sejam investigados e, caso
encontrado algum deles em culpa, que sejam responsabilizados pelo atos”,
disse.
O juiz ressaltou que foi o próprio tribunal, por meio de uma auditoria
interna nos sistemas, que identificou o esquema e encaminhou os dados à
polícia e ao Ministério Público. “O TJ não tolera qualquer tipo de ato
irregular ou corrupção”, garantiu.
O 7° promotor de Justiça Criminal de João Pessoa, Arlan Costa Barbosa,
criticou a Polícia Civil e disse que houve “inércia” na investigação do
caso. “Desde 2005, foi instaurado o inquérito e até hoje não tinha sido
concluído. O delegado responsável pelas investigações chegou a solicitar
nova baixa do processo, mas resolvi denunciar logo os acusados em face
da prescrição que já havia ocorrido pelo crime de quadrilha.
Lamentavelmente, quando a ação for julgada os crimes já terão
prescrito”, criticou.
O delegado geral da Polícia Civil, Carlos Alberto, foi procurado para
comentar as críticas, mas as ligações não foram atendidas até as 17h20
(horário local).
O representante do MP também lamentou que o TJ-PB só tenha punido
administrativamente “o pequeno funcionário”, que teria sido o que ganhou
menos com o esquema de corrupção, em relação aos outros servidores.
Um dos 13 denunciados estava em cargo comissionado no TJ. Segundo a
denúncia, ele era o responsável por manipular e direcionar a
distribuição dos processos de interesse dos advogados envolvidos no
esquema a gabinetes de desembargadores. Ele foi exonerado do cargo em
comissão pelo TJ-PB e denunciado pela promotoria por corrupção passiva.
Também foram denunciados por corrupção passiva outros seis sevidores do
TJ e dois oficiais de Justiça. Quatro advogados foram denunciados por
corrupção ativa.
O esquema
As irregularidades foram descobertas em maio de 2003 pela coordenadora
de Registro e Distribuição do TJ-PB, que oficiou o então presidente do
tribunal, informando-o sobre o assunto. Na época, foi realizada uma
auditoria no sistema de controle de processos e constatadas as
irregularidades.
O esquema funcionava da seguinte maneira: os advogados denunciados
procuravam um funcionário do TJ, mentor do esquema, e acertavam com ele
para que a distribuição de processos de clientes deles fosse fraudada e
dirigida para o gabinete de três desembargadores cujos assessores
estavam envolvidos no esquema.
Um dos funcionários era o responsável por receber os processos e
garantir que eles fossem distribuídos aos gabinetes envolvidos nas
irregularidades, recebendo R$ 200 do mentor. Ele foi o único punido pelo
TJ.
Quando o funcionário constatava que o processo não seria encaminhado
pelo sistema de distribuição do TJ ao gabinete do desembargador que o
acusado desejava que fosse repassado, ele separava o processo e
aguardava que outro de natureza igual fosse distribuído para determinado
gabinete. Nessa oportunidade, ele substituía as etiquetas do processo e
o encaminhava para o gabinete que ele queria que fosse distribuído o
processo.
As fraudes foram descobertas porque, no sistema, cada etiqueta
correspondia a um cadastro com características específicas do processo,
tais como número de páginas, descrição do objeto do processo, hora e
data.
Redação com G1
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