Funcionado pouco, e mal, devido à ausência de vereadores, a Casa não
consegue atender aos anseios da população. O Regimento Interno da CMCG
tem uma Resolução que determina que o vereador que deixar de comparecer,
salvo por razão justificada, a terça parte das sessões ordinárias de
uma sessão legislativa está sujeito a cassação do mandato.
Com salários de R$ 12 mil reais mês e outras vantagens, regimentalmente
estão “obrigados” a comparecerem à apenas três sessões por semana, no
entanto, nem mesmo essa responsabilidade é levada a sério. As sessões
são realizadas sempre as terças, quartas e quinta-feiras.
Esta semana, após tentar sem sucesso, diminuir o recesso parlamentar de
90 para 52 dias, o vereador Napoleão Maracajá (PCdoB), comprou outra
briga com os colegas. Ele ocupou a Tribuna da Casa de Félix Araújo para
cobrar que seja cortado o ponto dos parlamentares faltosos na Casa.
Segundo Napoleão, assim como o trabalhador comum o vereador também deve
cumprir sua obrigação de estar presente nas sessões legislativas.
- Eu espero que Mesa acate esse pedido e comece a cortar o ponto dos
parlamentares faltosos. Nós temos um bom salário e fomos eleitos para
representar o povo e não tem sentido está brincando de fazer parlamento -
declarou Napoleão.
Napoleão disse que as faltas sem justificativas são um desrespeito a
população e que espera coragem do presidente da Casa de Félix Araújo,
vereador Nelson Gomes (PRP), para realizar o corte de ponto.
A falta dos vereadores as sessões ordinárias tem sido uma prática comum
nas últimas legislaturas. Na legislatura passada, alguns parlamentares
tentaram implantar um painel eletrônico para exercer um maior controle,
mas não obtiveram sucesso. Na ocasião, eles denunciaram que alguns
vereadores chegavam no Plenário, assinavam o ponto e “desapareciam”.
O vereador Olímpio Oliveira (PMDB), chegou a fazer um apelo ao
presidente da Casa Nelson Gomes Filho (PRP), a respeito da ausência da
maioria no plenário.
“É terrível ter que fazer esse tipo de argumentação, mas há certas
palavras que devem ser pronunciadas. É válida a comunicação da
convocação para aquilo que já é latente e patente? Ora, convocar para as
suas obrigações habituais é válido?”, questionou Olímpio Oliveira na
época.
A exemplo do que propôs essa semana Napoleão Maracajá, Olimpio também
pediu ao presidente Nelson para descontar do contracheque dos faltosos o
dia de ausência. “Senhor presidente, lamento ter que fazer isso, mas
creio ser mais eficiente a gente fazer como a iniciativa privada faz. Se
alguém falta ao trabalho lá na sua empresa, o senhor corta o ponto”,
afirmou.
Olímpio ainda declarou que caberia aos vereadores darem o exemplo. “A
gente não pode ter um tratamento diferenciado. Nós estamos aqui para ser
espelho para a sociedade, fazendo leis para que o povo cumpra, e a
gente não dá o primeiro exemplo? Acho que essas coisas a gente deve
tratar de forma republicana”, complementou.
Vale salientar que na legislatura passada Olímpio Oliveira, Fernando
Carvalho, Antônio Pereira e Cassiano Pascal, estavam entre os mais
assíduos às sessões. Dos quatro, apenas Olímpio permanece com mandato.
Antônio Pereira e Cassiano não foram reeleitos, enquanto que Fernando
Carvalho não disputou a reeleição, abrindo vaga para a sua filha que não
foi eleita.
A falta nas sessões ordinárias já gerou perda de mandato em Campina
Grande. O então vereador Aloizio Calado foi caçado por falta, tendo o
seu mandato preenchido por João Leite.
PBAgora
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