No
embalo do pensamento de Heráclito, para quem nenhum homem toma banho
duas vezes no mesmo rio, porque nem o homem nem o rio continuam o mesmo,
alguém já disse que “ninguém é tão diferente de outra pessoa quanto é
de si mesmo em diferentes momentos de sua trajetória pessoal”.
Prestes a dar outro mergulho eleitoral, o senador Cícero Lucena (PSDB)
mostrou que pode não fugir à regra segundo a qual "a única coisa
permanente é a mudança". Hoje, em entrevista ao programa de Adelton
Alves e Edmilson Pereira, na Arapuna FM, adotou um tom bem menos
“radical” quando à possibilidade de ser indicado candidato ao Senado na
chapa do governador Ricardo Coutinho (PSB).
Não que tenha afirmado isso claramente. Não que esteja desejando isso.
Ainda defende racional e emocionalmente uma candidatura do senador
Cássio Cunha Lima ao governo do Estado, a fim de que, além de cortar o
cordão que liga o PSDB do PSB, possa subir num palanque sem ter que dar
tantas explicações a si mesmo e aos outros.
Porém, diante do cenário que se forma, Cícero revela que o homem é sim um ser em permanente transformação.
“Assim como defendo uma tese de candidatura de Cássio, não serei
radical caso essa minha tese seja derrotada. Sou um político e participo
de um partido que toma as decisões de forma democrática e, se
democraticamente essa for à decisão da maioria, nós não podemos ser radicais,
pois da mesma maneira que eu quero que minha opinião seja ouvida, eu
também tenho que ouvir a opinião dos outros, mas eu tenho certeza que a
voz das ruas será ouvida e Cássio será o candidato ao Governo do Estado e
estaremos disputando o Senado ao seu lado”, disse.
Uma das falas mais amenas sobre o tema que o tucano protagonizou até
agora. Por isso, ganhou facilmente às manchetes da imprensa local.
Condiz, inclusive, com uma frase que soltou em Brasília, neste final de semana, durante almoço após convenção nacional do PSDB.
Dividindo mesa com este blogueiro - que já havia insinuado que o
senador ainda se move com ódio a Ricardo Coutinho - e outros comensais,
Cícero mencionou o discurso do governador Marconi Perilo (PSDB-GO), que
chamou Lula de “canalha”, tamanha a raiva que tem do ex-presidente
petista.
Ao ser provocado que, apesar de tudo, nunca tinha feito o mesmo com o
governador Ricardo Coutinho, Cícero disparou sorrindo: “Prova que eu não
tenho tanta raiva assim”.
O problema desse suposto “novo Cícero”, que poderia finalmente permitir
ao PSDB atingir uma unidade, é que, por incrível que pareça, no lugar
de ajudar a composição da aliança PSDB e PSB, se desejar fazer parte do
bolo, poderá atrapalhar mais do que ajudar. Isto porque o PSB pode
torcer o nariz se for obrigado a ter o tucano na chapa e o PSDB de
Cássio e de Ruy Carneiro ter dificuldades de fazer outras e novas
indicações.
É irônico, mas o antigo sonho da unidade no PSDB na Paraíba não é tão desejado agora.
Como já foi dito, além do homem, o rio também muda.
Luís Tôrres
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