Após criticar ex-gestor por dívida
deixada no MariPrev, MM não repassa contribuições patronais de seu
governo e aumenta rombo previdenciário
Ex-prefeito
teria negociado dívida de 1 milhão e 73 mil e atual prefeito pede
autorização para negociar débito de quase 3 milhões até abril deste ano
Após criticar o seu antecessor por não
ter repassado contribuições destinadas ao Instituto de Previdência
Municipal – MariPrev, o atual prefeito do Município de Mari/PB, Marcos
Martins (PSB), solicitou autorização à Câmara Municipal para negociar
débitos que incluem os seus primeiros quatro meses de gestão.
O pedido do atual gestor foi aprovada
durante sessão extraordinária da Câmara Municipal realizada na última
segunda-feira (20) e constam de dois projetos de lei que autorizaram o
alcáide mariense a parcelar débitos de contribuições previdenciárias
patronais devidas no período de novembro/2011 a outubro/2012 e outro
referente ao período de novembro de 2012 a abril/2013.
A confissão de que o atual gestor não
pagou as contribuições devidas do parte do empregador (Prefeitura) foi
confirmada na manhã desta sexta-feira (24) pelo assessor de Comunicação
do Município, Fabiano Lima, durante o programa Liberdade de expressão na
rádio comunitária FM, provocando polêmica e embate acalorado entre o
assessor e o apresentador do jornalístico, Marcos Sales.
Durante o programa Fabiano chegou a
afirmar que a atual gestão estaria fazendo o repasse normalmente das
contribuições ao MariPrev, mas, após ser questionado sobre como seria
possível o prefeito pedir parcelamento de algo que vinha sendo pago, o
assessor acabou reconhecendo o não pagamento das contribuições devidas
pela atual gestão. “Já havia a indicação por parte da previdência para
que os Municípios fizessem esse parcelamento. Para o Município seria
mais interessante jogar esses meses para o parcelamento. 3 meses a mais
ou menos não iria enriquecer e nem muito menos quebrar a previdência”,
justificou.
Outro ponto polêmico da entrevista com o
assessor de comunicação deu-se por conta dos números do débito do
MariPrev. Segundo vem sendo divulgado pela administração municipal a
dívida deixada pelo ex-prefeito do Município e parcelada pelo atual
gestor, chegaria ao valor de mais de R$ 2.800,000,00
(DOIS MILHÕES E OITOCENTOS MIL). Porém, de acordo com documento
apresentado pelo âncora do programa, o ex-prefeito Antonio Gomes teria
firmado um acordo de confissão de dívida e parcelamento junto ao
MariPrev, no valor de R$ 1.077,270,70 (UM MILHÃO E SETENTA E SETE MIL, DUZENTOS E SETENTA REAIS E SETENTA CENTAVOS).
O documento registrado em cartório
demonstra que a negociação teria sido feita em 12 de novembro de 2012 e
refere-se aos repasses compreendidos entre os meses de fevereiro a
outubro do mesmo ano.
“De outubro a dezembro de 2012 era
impossível que a gestão anterior tivesse mais que duplicado o valor da
dívida com o MariPrev”, questionou Marcos Sales.
Aparentemente tomado de surpresa pelo
documento apresentado por seu interlocutor, Fabiano disse que preferia
dar crédito ao profissional da Prefeitura responsável pelo levantamento
dos dados. “As informações que repasso aqui foram repassadas por ele (o
profissional) a quem dou crédito, por ser um profissional do ramo e
pressupõe que as informações repassadas correspondem a verdade”,
esquivou-se o assessor.
Fabiano ainda tentou alegar que o acordo
firmado pelo ex-prefeito não teria sido aceito pela previdência devido a
erro na base de cálculo da alíquota.
Diante das contradições dos números,
fica evidente que o atual gestor ao não repassar as contribuições
patronais referentes aos meses de janeiro a abril de sua gestão,
aumentou o rombo do MariPrev, ato que ele tanto tem condenado no
ex-gestor e que vinha servindo como base para seus discursos e
entrevistas.
Resta saber se o montante negociado
engloba a dívida previdenciária da atual gestão mariense e se a mesma
teria sido jogada na conta do ex-prefeito.
Da Redação Do Expresso PB
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