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13 outubro 2011

BRASIL:Marcha Contra Corrupção reúne 20 mil pessoas em Brasília



Marcha Contra Corrupção reúne 20 mil pessoas em Brasília
Cerca de 20 mil pessoas, segundo cálculo do comando da Polícia Militar do Distrito Federal, participaram da Segunda Marcha Contra a Corrupção em Brasília. A manifestação aconteceu na Esplanada dos Ministérios, ontem (12), quando é comemorado o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Mais uma vez, organizado por meio das redes sociais, o ato pacífico e apartidário ocorreu sem incidentes e foi o de maior impacto em todo o país.

Para Rodrigo Montezuma, integrante da organização do movimento, o objetivo foi atingido. “Nós tínhamos pouco menos de 19 mil pessoas confirmadas no Facebook. É muito fácil apenas curtir o movimento na poltrona de casa, mas comparecer requer um pouco mais de esforço. O objetivo foi alcançado porque 20 mil pessoas saíram de casa para mostrar que estão indignadas com os atos corruptos que acontecem no patamar político do país”, explica.

Vestidos de preto e com vassouras nas cores da bandeira do Brasil, verde e amarelo, os manifestantes entoavam gritos de ordem que pediam entre outras coisas, a validação da Lei Ficha Limpa para as eleições de 2012, o fim do voto secreto nas votações do Congresso Nacional e a não limitação dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão criado para fiscalizar o judiciário.

Ainda neste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar ação proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que visa a limitar o raio de investigação do CNJ. Além disso, o STF também vai julgar a validade da Ficha Limpa. Já a discussão sobre o fim do voto secreto foi retomada no Congresso após a absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF).

O protesto reuniu pessoas de todas as idades. A estudante Tatiana Gonçalves já havia levado os pais e a irmã no protesto do dia 7 de setembro e dessa vez, não foi diferente. “Desde a manifestação passada, acompanho o movimento pelo Facebook, por isso, mobilizei a minha família, que na mesma hora quis comparecer. É o que todo o brasileiro deveria fazer, já que há tanto o que reclamar na política do país”, afirma.

A irmã mais velha, Samara Gonçalves, acredita que é importante que hajam movimentos sociais que levem os brasileiros às ruas. “Protestar nas ruas é uma cultura que a população ainda está aprendendo. Por isso, é preciso que se torne uma constante para que, por meio de pressão social, os governantes possam ser cobrados e tomem atitudes corretas”, ressalta.

Ao todo, protestos foram convocados em ao menos 25 cidades de 17 estados em todas as regiões do país, principalmente articuladas nas redes sociais e blogs. Organizadores já planejam uma ONG para nacionalizar o movimento.

Segundo um dos líderes do Movimento Contra Corrupção (MCC), Walter Rodrigues, o objetivo é que as manifestações adquiram um caráter nacional. Na próxima semana, eles irão discutir a possibilidade de transformar o MCC em uma ONG.

"Vamos fazer uma videoconferência com os representantes das cidades na próxima quarta ou quinta-feira para discutir como nacionalizá-lo", disse.

Além da concretização do movimento em uma ONG, outros passos efetivos estão em andamento. Como, por exemplo, a leitura de uma nota de protesto MCC no Senado Federal e na Câmara dos Deputados em prol do combate a corrupção. Apesar da movimentação, uma nova marcha ainda não está confirmada.

Outros lugares

Em São Paulo, a marcha se concentrou novamente na Avenida Paulista. Estimativas da Polícia Militar apontavam para a presença de duas mil pessoas. A mesma quantidade de pessoas se mobilizou no Rio de Janeiro, na orla de Copacabana, na Zona Sul.

Em Belo Horizonte, a manifestação se concentrou na Praça da Liberdade, região nobre da cidade e próxima à antiga sede do governo estadual. Segundo a PM, 200 pessoas apareceram. Manifestantes pediram ainda o imediato julgamento dos acusados de crimes no esquema do mensalão e a devolução aos cofres públicos de dinheiro comprovadamente desviado por políticos corruptos.

Em Goiânia, onde o governo contabilizou cerca de 1,2 mil pessoas, a marcha atraiu estudantes universitários, professores, profissionais liberais e donas de casa. A maioria foi vestida de preto e percorreu 4 km no centro da cidade.

Em Curitiba, cerca de 500 pessoas partiram da Universidade Federal do Paraná (UFPR) até ruas do Centro Histórico e foram até o Centro Cívico. Estudantes mascarados se misturaram com aposentados, caras-pintadas e ativistas. Não havia sequer uma bandeira de partido político. Durante a passeata, alguns moradores jogaram água nos manifestantes.

Em Salvador, a marcha percorreu o circuito Barra-Ondina, famoso por receber os trios elétricos de Carnaval. Cerca de 800 pessoas apareceram, com bandeiras, apitos, narizes de palhaço e caras pintadas. Entre jovens e crianças, foram vistos também juízes e advogados.

Em Recife, a marcha levou cerca de 300 pessoas à avenida Boa Viagem, ao som de apitaço e palavras de ordem. Várias mães aproveitaram o feriado, quando também se comemora o Dia das Crianças, para levar os filhos pequenos.

Em Fortaleza, trio-elétricos animaram a caminhada ao som de canções engajadas como "Brasil", de Cazuza, e "Para Não Dizer que Eu Não Falei de Flores", de Geraldo Vandré. Na capital cearense, estudantes expressavam revolta contra o que ficou conhecido como "escândalo dos banheiros", esquema de desvio de dinheiro destinado a construção de banheiros populares que, segundo o Tribunal de Contas do Estado, chegou a um rombo de R$ 16 milhões.

Em João Pessoa, o público se concentrou no Busto de Tamandaré, e caminhou pela orla da praia. A mobilização foi organizada por entidades locais ligadas à advocacia e à imprensa.

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