Em três anos, empresas venceram 306 licitações em 83 municípios paraibanos cujos valores ultrapassaram R$ 60 milhões.
Segundo o promotor de Justiça Rafael Linhares, a existência dessas
empresas ocorreu a partir da análise de documentos coletados nas
operações 'Pão e Circo' e 'Gabarito', deflagradas pelo Ministério
Público em 2012. Durante a apuração, os promotores encontraram indícios
de empresas que eram criadas e destituídas em determinados períodos do
ano com a finalidade de participar de licitações.
Levantamentos realizados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o
Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB) também
demonstraram que, de 2011 a 2013, as 15 empresas mais utilizadas no
esquema venceram 306 licitações em 83 municípios paraibanos cujos
valores ultrapassaram R$ 60 milhões e com pagamentos já realizados que
superam R$ 45 milhões, conforme dados obtidos junto ao TCE-PB.
Equipes de fiscalização da CGU visitaram obras que estariam sendo
realizadas pelas empresas investigadas em seis municípios paraibanos e
constataram indícios de que as obras são executadas pelas próprias
prefeituras, sendo as empresas utilizadas apenas como “fachada” para
encobrir o desvio de recursos públicos.
Sobre a operação
Sessenta e três mandados de busca e apreensão foram cumpridos e uma
pessoa foi presa em flagrante durante a 'Operação Papel Timbrado'. Foi
preso um servidor da Prefeitura de Alagoa Grande que foi flagrado
juntando documentos para montar um procedimento licitatório. Foram
cumpridos mandados de busca e apreensão nas sedes das Prefeituras de
Alhandra, Cabedelo, Sapé, Mari, Mamanguape, Barra de São Miguel, Cacimba
de Dentro, Caaporã, Salgado de São Félix e Solânea, de 15 empresas da
construção civil e nas residências dos sócios e também em escritórios de
contabilidade, envolvidos em um esquema de fraudes em licitações e
lavagem de dinheiro.
O objetivo da 'Operação Papel Timbrado' é apurar a comercialização
ilegal de “kits de licitação” (papéis timbrados de construtoras,
certidões negativas, contratos sociais, documentos de sócios, propostas
de preços e outros documentos comumente exigidos em licitações),
boletins de medição e até notas fiscais, no intuito de fraudar
licitações e contratos junto aos municípios paraibanos.
A 'Operação Papel Timbrado' foi deflagrada pelo Gaeco/MPPB, em
parceria com o Ministério Público Federal (MPF), Controladoria Geral da
União (CGU), Tribunais de Contas do Estado (TCE) e da União (TCU), pelo
Conselho Administrativo de Defesa Econômica e Polícias Civil e Militar
da Paraíba.
Área do visitante (
Nenhum comentário:
Postar um comentário