Os médicos do Provab foram encaminhados
para 65 cidades paraibanas. Segundo assessoria de imprensa do MS, as
vagas residuais não devem ser preenchidas este ano. O edital com
abertura de vagas e prazos para seleção é lançado anualmente e não há
previsões para uma nova edição. A assessoria não divulgou a relação dos
municípios onde sobraram vagas.
De acordo com o Ministério da Saúde, o
Brasil tem 1,8 médico para cada mil brasileiros, índice abaixo de outros
países latino-americanos como Argentina (3,2) e México (2). Na Paraíba,
a situação ainda é pior, segundo o MS, a relação é de 1,17 médico para
cada mil paraibanos. No Nordeste, os estados que apresentaram melhores
indicadores foram Rio Grande do Norte (1,23), Sergipe (1,3) e Pernambuco
(1,39).
Para o presidente do Conselho Regional
de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Medeiros, a falta de interesses
dos profissionais é motivada pela infraestrutura precária em cidades do
interior do Estado. Ele lembra que quando o Provab foi iniciado, em
2012, apenas cerca de 300 médicos aderiram ao programa. Este ano, mais
de 4,5 mil médicos recém-formados participaram da seleção. "O problema é
que em cidades do interior há falta de condições de trabalho para os
médicos. Além disso os médicos recém-formados deveriam ser monitorados e
precisariam ter uma equipe de retaguarda para esclarecer dúvidas, o que
não existe", afirmou.
Ainda segundo o presidente do CRM-PB, as
vagas que sobraram são para "locais inóspitos e não oferecem condições
de trabalho", pontuou. Em relação à remuneração recebida pelos
profissionais, João Medeiros pondera. "Os médicos que participam do
Provab recebem uma bolsa de R$ 8 mil que não dá garantia de nada, eles
não têm outros direitos além da bolsa, por isso preferem fazer cursos de
residência ou estudar para concurso público", finalizou.
De acordo com a assessoria do MS, os
municípios e regiões que contam com médicos do Provab foram indicados
pelos gestores locais devido à carência de profissionais. As demandas
apresentadas pelos municípios foram disponibilizadas para que os médicos
interessados em participar da iniciativa escolhessem entre cinco opções
em quais cidades gostariam de trabalhar.
Neste ano, no país, dos 2.856 municípios
inscritos pelos secretários de Saúde municipais, 1.291 conseguiram
médicos interessados em atuar nessas regiões. Nesta edição, em relação à
do ano passado, o número de profissionais que participam do programa
foi dez vezes maior - passando de 381, em 2012, para os 3.800 atuais.
Os médicos do Provab devem cumprir 32
horas semanais de atividades práticas nas Unidades Básicas de Saúde
(UBS) e 8 horas semanais de curso de pós-graduação em Saúde da Família
com duração de 12 meses. A atuação dos participantes do programa deve
ser supervisionada por instituições e hospitais de ensino mensalmente.
Além disso, eles devem ter acesso às ferramentas do Telessaúde Brasil
Redes, programa do Ministério da Saúde que promove a orientação dos
profissionais da Atenção Básica, por meio de teleconsultorias com
núcleos especializados localizados em instituições formadoras e órgãos
de gestão.
CFM QUER CARREIRA FEDERAL PARA SANAR FALTA DE PESSOAL
O Conselho Federal de Medicina propôs,
ontem, a criação de uma carreira federal de médico. O cargo exigiria
dedicação exclusiva e poderia ser solução para a carência de
profissionais em áreas mais carentes do Brasil. Para o conselho, ao
contrário do que diz o Ministério da Saúde, há médicos em número
suficiente para atender à demanda brasileira. As informações são da
Agência Brasil.
Pela proposta, entregue ao Ministério da
Saúde e a parlamentares, o governo criaria o Programa de Interiorização
do Médico Brasileiro, em caráter emergencial e transitório, com duração
de 36 meses, e levaria os profissionais para cidades com até 50 mil
habitantes, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O plano destinado a fixar médicos em
pequenas cidades, inclui melhorias em infraestrutura, instalação de
unidades de Pronto-Atendimento e de laboratórios de análises clínicas. O
Ministério da Saúde contrataria médicos provisoriamente.
Ao fim dos 36 meses, a proposta sugere
que a criação de uma carreira de estado, nos moldes da carreira de juiz,
na qual o médico receberia o piso, que hoje está em torno de R$ 20 mil,
para ter dedicação exclusiva ao serviço público e trabalhar 40 horas
semanais.
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