O fato, segundo o CEDHPB, aconteceu no
último dia 14 de fevereiro. Os padres, que integram a Pastoral
Carcerária, teriam sido obrigados a ficar nus e fazer movimentos de
agachamento para que os agentes penitenciários verificassem se eles não
estavam escondendo drogas ou objetos ilegais dentro do próprio corpo.
"A atitude foi uma grande arbitrariedade, nós pedimos providências.
Comunicamos o secretário e o governador Ricardo Coutinho (PSB) foi o
primeiro a ficar sabendo", disse o padre João Bosco ao G1.
João Bosco enfatizou que uma resolução
do Conselho Estadual de Coordenação Penitenciária, publicada no começo
de março e que normatiza a entrada de membros de entidades religiosas
nos presídios, veda a realização da revista íntima para essas pessoas. O
documento diz apenas que só haverá exceção quando acontecer alguma
denúncia ou suspeita. "Não era o caso em questão. Inclusive um dos
padres, o padre Júlio Massom, faz esse trabalho da pastoral no Roger
toda semana . Ele não é uma pessoa estranha no local, não precisava
passar por isso", completou o presidente do Conselho dos Direitos
Humanos.
A Secretaria de Administração
Penitenciária negou que tenha submetido os sacerdotes a qualquer tipo de
humilhação. Segundo o secretário Wallber Virgolino, apenas um padre foi
revistado. "Ele não se identificou como padre, nem como membro da
Pastoral Carcerária e por esse motivo foi revistado", afirmou .
Padre na Paróquia Santa Terezinha, que
também fica no Roger, e executando o trabalho de pastoral no presídio há
nove anos , Júlio Massom confirmou que foi submetido à revista íntima e
que viu a situação como uma ofensa. "Eu não estava acostumado com isso.
Os agentes disseram que teriam que revistar todo mundo", afirmou o
padre. Ele ressaltou que os servidores alegaram que estavam agindo com
base na resolução do Conselho de Coordenação Penitenciária, a mesma que
orienta o contrário.
Júlio Massom disse ainda que voltou ao
Roger no último domingo (17) para celebrar uma missa e não teve
problemas para entrar no local . O padre informou que recebeu um pedido
de desculpas do diretor do Roger, David Efraim Negri. "Foi um acidente
de percurso, voltei lá e foi tudo normal, acho que foi um problema de
comunicação", pontuou
Uma sindicância será instaurada pela
Secretaria de Administração Penitenciária para apurar o corrido.
Conforme, Wallber Virgolino caso seja identificado que servidores de
fato tiveram culpa, estes serão penalizados.
Interdição do Roger
Na última semana o Conselho dos Direitos
Humanos entrou com uma ação na Vara de Execuções Penais de João Pessoa
solicitando a interdição do Presídio do Roger. O órgão decidiu entrar
com a ação após constatar a superlotação da unidade prisional em uma
recente visita.
A ação foi movida na segunda-feira (11),
três dias antes do ato contra os padres na unidade prisional. Apesar
disso o padre João Bosco não acredita que a revista íntima tenha sido
uma retaliação ao Conselho de Direitos Humanos.
Com G1
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