A arte montada pelo Ministério Público mostra a rede
armada para matar a juíza Patrícia Acioli
O tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira, apontado como mentor do assassinato da juíza Patrícia Acioli, conversou por telefone 407 vezes com o tenente Daniel dos Santos Benitez durante os três meses que antecederam a morte da magistrada, em 11 de agosto. A informação foi confirmada pelo Ministério Público nesta segunda-feira (10).
O registro dos telefonemas trocados pelos policiais se tornou possível após a Justiça autorizar, em agosto, a quebra de sigilo das antenas que cobrem a área onde Patrícia foi assassinada, em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio. As antenas próximas ao fórum de São Gonçalo, onde a juíza trabalhava, também foram monitoradas.
A amizade entre o tenente-coronel e Benitez foi confirmada em depoimento no esquema Delação Premiada de um dos cabos que participaram do plano para a morte da magistrada. Segundo relatado no documento, Benitez seria o “braço direito” de Claudio Luiz de Oliveira no Batalhão de São Gonçalo (7º BPM).
“[...] a relação entre Benitez e o coronel Claudio era de amizade [...]. Percebia-se que Benitez era muito protegido pelo coronel e os outros oficiais não tinham a mesma proteção”.
O PM disse que, nos dias de serviço, Benitez mantinha contato pessoal com o comandante frequentemente, no gabinete de Claudio, no pátio e por telefone, sempre diretamente.
Segundo um outro cabo, que também optou pela delação, quando capitães e majores davam uma ordem ao tenente Benitez e ele não gostava, o tenente reclamava com o tenente-coronel, que analisava as ordens e fazia sempre o que o tenente queria.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, durante a elaboração do crime, Cláudio atuou como uma espécie de consultor do tenente, dando conselhos para assegurar o êxito do plano. Em uma das primeiras conversas, o comandante do 7º BPM respondeu: “Você me faria um grande favor”.
PMs visitaram condomínio da juíza horas antes do crime
Por volta das 15h45 do dia 11 de agosto, o tenente Benitez e o cabo Sérgio Costa Júnior, que executariam mais tarde a juíza, visitaram o condomínio de Patrícia para ajustar os últimos detalhes.
Imagens fornecidas pelo Ministério Público flagraram Sérgio no local com a mesma moto que seria utilizada no assassinato. Um pouco atrás, Benitez aparece caminhando, com boné e óculos escuros.
Nos depoimentos dados ao titular da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, os cabos que optaram pela Delação Premiada contaram que, além da moto, foi utilizado um Fiat Palio vinho. Os dois veículos custaram R$ 4.000.
O carro e a moto foram estacionados próximo ao fórum, onde a magistrada acabava de decretar a prisão dos agentes do GAT (Grupamento de Ações Táticas) por suspeita de envolvimento em um auto de resistência que resultou na morte de Diego Beliene, 18 anos, no morro do Salgueiro, em São Gonçalo.
Ao saber da decisão da magistrada, Benitez teria ficado revoltado e, segundo o depoimento, disse que o crime “tinha de ser naquele dia”.
“Benitez indagou quem iria com ele na motocicleta [...] Benitez decidiu que o declarante [cabo] que deveria ir na motocicleta executar a empreitada. O declarante portava a pistola calibre 45, enquanto Benitez portava revólver calibre 357 e pistola calibre 40 em uma mochila”.
No trecho seguinte, o cabo contou que o PM Jovanis Falcão Júnior teria ficado no Fiat Palio e, mesmo após o motor ter demorado a ligar, conseguiu alcançar a moto e o carro da juíza. Pouco depois, o carro saiu da rota e voltou para os arredores do 7º BPM. Após o crime, os policiais teriam ateado fogo no Palio em um terreno da comunidade Jardim Catarina, no mesmo município.
Da Redação com R7
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